quarta-feira, 12 de novembro de 2014

TEORIA - DESENCARNAÇÃO COLETIVA


Destino ou Fatalidade?

 Borborema, cidade com 15 mil habitantes, viveu clima de luto e comoção pela morte de 11 moradores da cidade em um grave acidente na Rodovia Leônidas Pacheco Ferreira (SP-304) em Ibitinga (SP) na noite de segunda-feira (27/10/2014). O ônibus levava estudantes e professores da Escola Estadual "Dom Gastão Liberal Pinto", em Borborema (SP). Eles voltavam de uma excursão em São Paulo e seguiam para a cidade de origem pela rodovia quando houve uma colisão contra uma carreta.
Segundo informações da polícia, o ônibus foi atingido por uma carreta que seguia no sentido contrário. O impacto foi tão forte que o ônibus teve a lateral arrancada.
Os passageiros foram arremessados na rodovia e morreram na hora. Após a batida, a carreta, que transportava óleo vegetal, pegou fogo, que foi controlado somente duas horas depois pelas equipes do Corpo de Bombeiros.
As causas do acidente ainda serão apuradas, contudo, minha versão é que a falta de sinalização de solo pode ter contribuído para o desastre. Dias antes transitando pela mesma rodovia notei ausência, em muitos trechos, de sinais de transito, devido às obras e melhorias naquela faixa de rolamento.
Como o sinistro foi muito comentado pela imprensa e por ter se tornado assunto de questionamentos em nosso Centro, optamos por elaborar esta pauta como objeto de estudos e, para isso,  nos servindo da literatura que a Doutrina oferece.

"Esta vida é uma viagem. Pena eu estar só de passagem".
 José Vinicius Anzolin


Em ocorrências como esta, são comuns as pessoas se perguntarem quais seriam as causas de sua origem, suas razões e porque Deus não as teria poupado. Por que algo tão terrível acontece e mata em grande número, sem escolher idade, sexo, raça ou religião? Muitos acreditam que é má sorte; para outros é um castigo; alguns pensam que funciona por acaso, obras do destino, uma fatalidade.
Mas o que sobre isto diz a Doutrina Espírita? Qual é a sua explicação sobre o assunto?
 O Espiritismo explica com grande consistência que cada um recebe de acordo com suas obras, porque todos nós estamos sujeitos às Leis da Ação e Reação,  de Causa e Efeito, e a de Evolução e Progresso.
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Assim, embora os acontecimentos trágicos vos pareçam ocasionais ou imprevistos, eles podem ter sido traçados pela Administração Sideral devido a uma coincidência cármica. Então ali se escolhem e se agrupam justamente criaturas cuja ficha moral as condiciona a um determinado fato, ocorrência ou acidente de resgate coletivo, ensejando-lhes a liquidação dos débitos das existências passadas.
As causas das mortes coletivas
Através da reencarnação a Doutrina Espírita mostra que há lógica nas tragédias que chocam a todos nós e que nos basta conciliar a afirmativa de Jesus de que “a cada um será dado segundo as suas obras”.
É nos dizeres de Jesus que teremos indícios de entendimento com as desencarnações coletivas provocadas pelo terremoto mais violento dos últimos quarenta anos, ocorrido no dia 26 de dezembro de 2004, que ao produzir ondas gigantescas (tsunamis), destruiu a região litorânea do Sul da Ásia, matando centenas de milhares de pessoas?
Ou, como aplicar o ensinamento do Cristo às mortes coletivas que aconteceram num incêndio de grandes proporções em uma discoteca de Buenos Aires e que provocou a morte de 175 pessoas, ou mesmo a de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, recentemente; ou aos óbitos registrados no terremoto que atingiu a cidade de Bam, no Irã, no final de 2003, que matou milhares de pessoas de todas as idades e condições sociais; ou ainda, às verificadas no acidente de avião no Egito, que provocou a morte de 148 pessoas que estavam a bordo, em 3 de janeiro de 2004? Enfim, como explicar todos esses e muitíssimos outros fatos dramáticos sob a ótica da Justiça Divina?
Para melhor entendermos a questão das expiações coletivas, o Espírito Clélia Duplantier, em "Obras Póstumas", nos dá explicações interessantes e que nos ajudam a compreender melhor o processo. Diz-nos que as mesmas leis que regem o indivíduo, também se aplicam à família, à nação, às raças, à massa dos habitantes dos mundos, que são  individualidades coletivas. Toda a falta quer do indivíduo, quer de famílias e nações, seja qual for o caráter, são expiadas em cumprimento da mesma lei.  
Em todo o ser humano há três caracteres: o do indivíduo ou do ente em si mesmo, o do membro da família e o do cidadão. Sob cada uma dessas três faces, pode ele ser criminoso ou virtuoso; isto é, pode ser virtuoso, como pai de família, e criminoso como cidadão e vice-versa; daí as situações especiais em que se acha nas existências sucessivas.     
A reparação dos erros praticados por uma família ou por certo número de pessoas é também solidária, isto é, os mesmos espíritos que erraram juntos reúnem-se para reparar suas faltas. A lei de ação e reação, nesse caso, que age sobre o indivíduo, é a mesma que age sobre a família, a nação, as raças, enfim, o conjunto de habitantes dos mundos, os quais formam individualidades coletivas.
Tal reparação se dá porque a alma, quando retorna ao Mundo Espiritual, conscientizada da responsabilidade própria faz o levantamento dos seus débitos passados e, por isso mesmo, roga os meios precisos a fim de resgatá-los devidamente.
Também, vamos encontrar no livro Chico Xavier Pede Licença, no capítulo 19, intitulado “Desencarnações Coletivas”, as sábias explicações para o fenômeno das mortes coletivas, quando o benfeitor Emmanuel responde pergunta endereçada a ele, por algumas dezenas de pessoas, em reunião pública, realizada na noite de 22/08/1972, em Uberaba, MG, e que aqui transcrevemos: “Sendo Deus a Bondade Infinita, por que permite a morte aflitiva de tantas pessoas enclausuradas e indefesas, como nos casos de incêndios (e de quedas de aeronaves)?
Responde Emmanuel:
” Realmente, reconhecemos em Deus o Perfeito Amor, aliado à Justiça Perfeita. “E o homem, filho de Deus, crescendo em amor, traz consigo a Justiça imanente, convertendo-se, em razão disso, em qualquer situação, no mais severo julgador de si próprio”. 
Como se processa a provação coletiva [resgate]?
O Mentor do Chico esclarece: “Na provação coletiva, verifica-se a convocação dos Espíritos encarnados, participantes do mesmo débito, com referência ao passado delituoso e obscuro. O mecanismo da justiça, na lei das compensações, funciona, então, espontaneamente, através dos prepostos do Cristo, que convocam os comparsas da dívida do pretérito para os resgates em comum, razão porque, muitas vezes, intitulais “doloroso caso” às circunstâncias que reúnem as criaturas mais díspares (desiguais) no mesmo acidente, que lhes ocasiona a morte do corpo físico ou as mais variadas mutilações, no quadro dos seus compromissos individuais”.
 Diante de tantos lúcidos esclarecimentos, não mais podemos ter quaisquer dúvidas de que a Justiça Divina exerce sua ação, exatamente, com todos aqueles que, em algum momento, contrariaram a harmonia da Lei de Amor e Caridade e, por isso mesmo, cedo ou tarde, defrontar-se-ão, inexoravelmente, com a Lei de Causa e Efeito, ou, se preferirem, com a máxima proferida pela sabedoria popular: “A semeadura é livre, mas, a colheita é obrigatória”.
É importante destacar que, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, o mestre lionês assinala: "Não se deve crer, entretanto, que todo sofrimento, porque se passa neste mundo, seja, necessariamente, o indício de uma determinada falta: trata-se, freqüentemente, de simples provas escolhidas pelo Espírito para sua purificação, para acelerar o seu adiantamento”.
 Diante do exposto, afirmamos que a função da dor é ampliar horizontes, para, realmente, vislumbrarmos os concretos caminhos amorosos do equilíbrio. Por isso, diante dos compromissos “cármicos”, em expiações coletivas ou individuais, lembremo-nos sempre de que a finalidade da Lei de Deus é a perfeição do Espírito, e que estamos, a cada dia, caminhando nessa direção, onde o nosso esforço pessoal e a busca da paz estarão agindo a nosso favor, minimizando, ao máximo, o peso dos débitos do ontem.
 Lei de Ação e Reação
Família morre queimada - para redimir culpas passadas de diversos membros de uma família que, por vingança, incendiaram a casa de um vizinho pela madrugada, matando todos dentro da casa. Os espíritos que compunham a família criminosa, ao reencarnarem unidos novamente pelos laços consangüíneos, expiaram seus crimes num desastre, no qual o carro em que viajavam pegou fogo, morrendo todos queimados dentro do veículo.
Como se vê, cada membro da família reparou individualmente os crimes cometidos na encarnação anterior, dentro do resgate coletivo. De fato, a dor coletiva é o remédio que corrige as falhas mútuas. No entanto, cada um só é responsável pelas suas próprias faltas como determina a Justiça Divina, ou seja, como indivíduos ou como membros de uma coletividade, todos nós somos responsáveis pelos nossos atos perante as leis de Deus.
Segundo Emmanuel, nós “criamos a culpa e nós mesmos engenhamos os processos destinados a extinguir-lhe as conseqüências. E a Sabedoria Divina se vale dos nossos esforços e tarefas de resgate e reajuste a fim de induzir-nos a estudos e progressos sempre mais amplos no que diga respeito à nossa própria segurança. É por este motivo que, de todas as calamidades terrestres, o Homem se retira com mais experiência e mais luz no cérebro e no coração, para defender-se e valorizar a vida”.
Obs. - Tais apontamentos foram feitos ao final do capítulo intitulado “Desencarnações Coletivas”, no livro Chico Xavier Pede Licença, quando o benfeitor espiritual responde por que Deus permite a morte aflitiva de tantas pessoas enclausuradas e indefesas, como nos casos de incêndios.
Tragédia do Circo - No dia 17 de dezembro de 1961, na cidade de Niterói, em comovedora tragédia num circo, a justiça da lei Ação e Reação, através da reencarnação, reaproximaram os responsáveis, em diversas posições da idade física, para a dolorosa expiação, conforme relata o Espírito Humberto de Campos, pelo médium Chico Xavier, no livro Crônicas de Além Túmulo.
É ocaso do incêndio do circo em Niterói. Os que morreram no século XX foram os mesmos espíritos que, em Roma, atearam o incêndio numa arena de um circo na Gália, região da França, na época do Império Romano, onde se acotovelavam as crianças cristãs. Gasto quase dezoito séculos depois do evento escuro... No entanto, a lei de justiça reaproxima todos os responsáveis, através da reencarnação, e em diferentes idades para a expiação física dolorosa.
No ano 177 da Era Cristã, Marcus Aurelius governou o Império Romano. Mulheres, homens, crianças, idosos e os cristãos foram presos, torturados e exterminados. Veio a notícia da visita do famoso guerreiro Lucio Gallo e quem estava no poder quis homenageá-lo de forma tão grande e original, decidindo a queimar milhares de cristãos em um show à altura do visitante.
Emigrações e Imigrações dos Espíritos
Em certas épocas, reguladas pela sabedoria divina, essas emigrações se operam em massas mais ou menos consideráveis, como resultado das grandes revoluções que fazem desencarnar ao mesmo tempo, um agrupamento de seres, os quais são logo substituídas por quantidades equivalentes de encarnações. Portanto, é preciso considerar os flagelos destruidores e os cataclismos como ocasiões de partidas coletivas, meios providenciais de renovar a população corporal do globo, de a retemperar mediante a introdução de novos elementos espirituais mais purificados. Se, nessas catástrofes, há destruição de um grande número de corpos, ali não há senão vestes dilaceradas, porém nenhum Espírito perece: nada fazem senão mudar de ambiente; em lugar de partir isoladamente, partem em quantidades  –  eis toda a diferença –  pois, quanto a partir por uma causa, ou por outra, para eles não muda a fatalidade de que mais cedo ou mais tarde deverão partir.
As renovações rápidas e quase instantâneas que se operam no elemento espiritual da população, como conseqüência dos flagelos destruidores acelera o progresso social; sem as imigrações e emigrações que ocorrem de tempos a tempos não viessem dar-lhe um violento impulso, progrediria com extrema lentidão.. XET 218 – 36
Encarnação e Desencarnação dos Espíritos
Quando o Espírito deve se encarnar num corpo humano em vias de formação, um laço fluídico, que nada mais é senão uma expansão de seu perispírito, o liga ao germe em cuja direção ele se sente atraído por uma força irresistível desde o momento da concepção. À medida que o germe se desenvolve, firma-se o laço; sob influência do princípio vital material do germe, o perispírito, que possui certas propriedades da matéria, se une, molécula por molécula, ao corpo que o forma; daí se pode dizer que o Espírito, por intermédio de seu perispírito, de alguma forma toma raiz no germe como uma planta na terra. Quando o germe está inteiramente desenvolvido, a união é completa, e então ele nasce para a vida exterior.
Por efeito contrário, esta união do perispírito e da matéria carnal, que se havia realizado sob a influência do princípio vital do germe, quando esse princípio cessa de agir em resultado da desorganização do corpo, a união, que apenas era mantida por uma força atuante, cessa quando essa força cessa de agir; então o Espírito se solta, molécula por molécula, como um dia se uniu, e o Espírito recupera sua liberdade. Assim, não é a partida do Espírito que causa a morte do corpo, mas a morte do corpo que causa a partida do espírito.
Desde o instante posterior à morte, a integridade do Espírito é total; suas faculdades adquirem mesmo uma penetração maior, ao passo que o princípio da vida se extingue no corpo, e isto é prova evidente de que o princípio vital e o princípio espiritual são duas coisas distintas.
O Espiritismo nos ensina, pelos fatos que nos proporciona à observação, os fenômenos que acompanham essa separação; ela é algumas vezes rápida, fácil, doce e insensível; outras vezes é lenta, laboriosa, horrivelmente penosa, segundo o estado moral do Espírito, e pode durar meses inteiros.
Separação da Alma e do Corpo
Da Separação: Assemelha-se este fenômeno ao dos sonâmbulos inexperientes, que não crêem estar dormindo. Para eles, o sono é sinônimo de suspensão das faculdades; ora, como pensam livremente e podem ver, não acham que estejam dormindo. Alguns Espíritos apresentam esta particularidade, embora a morte não os tenha colhido inopinadamente; mas ela é sempre mais generalizada entre os que, apesar de doentes, não pensavam em morrer. Vê-se então o espetáculo singular de um Espírito que assiste aos próprios funerais como os de um estranho, deles falando como de uma coisa que não lhe dissesse respeito, até o momento de compreender a verdade.
LE - 161. Na morte violenta ou acidental, quando os órgãos ainda não se debilitaram pela idade ou pelas doenças, a separação da alma e a cessação da vida se verificam simultaneamente?
— Geralmente é assim; mas, em todos os casos, o instante que os separa é muito curto.
No momento da morte, tudo, a princípio, é confuso; a alma necessita de algum tempo para se reconhecer; sente-se como atordoada, no mesmo estado de um homem que saísse de um sono profundo e procurasse compreender a sua situação. A lucidez das idéias e a memória do passado lhe voltam à medida que se extingue a influência da matéria de que se desprendeu, e que se dissipa essa espécie de nevoeiro que lhe turva os pensamentos.
Do livro Ação e Reação um relato socorrista de Andre Luiz, como segue:
Acidente: O socorro no avião sinistrado é distribuído indistintamente, contudo, não podemos esquecer que se o desastre é o mesmo para todos os que tombaram, a morte é diferente para cada um. No momento serão retirados da carne tão somente aqueles cuja vida interior lhes outorga a imediata liberação. Quanto aos outros, cuja situação presente não lhes favorece o afastamento rápido da armadura física, permanecerão ligados, por mais tempo aos despojos que lhes dizem respeito.
Quantos dias?
Depende do grau de animalização dos fluidos que lhes retém o Espírito à atividade corpórea – respondeu-nos o mentor. Alguns serão detidos por algumas horas, outros, talvez, por longos dias... Quem sabe? Corpo inerte nem sempre significa libertação da alma. O gênero de vida que alimentamos no estágio físico, dita as verdadeiras condições de nossa morte. Quanto mais chafurdamos o ser nas correntes de baixas ilusões, mais tempo gastamos para esgotar as energias vitais que nos aprisionam à matérias e primitiva de que se nos constitui a instrumentação fisiológica, demorando-nos nas criações mentais inferiores a que nos ajustamos, nelas encontrando combustível para dilatados enganos nas sombras do campo carnal, propriamente considerado. E quanto mais nos submetamos às disciplinas do espírito, que nos aconselham equilíbrio e sublimação mais ampla facilidades conquistaremos para a exoneração da carne em quaisquer emergências de que não possamos fugir por força dos débitos contraídos perante a Lei. Assim é que “morte física” não é o mesmo que “emancipação espiritual”. – XVL 241 / 251
Pós Morte
Cordão prateado - Às vezes, não convém à brusca libertação para a alma passar a atuar imediatamente no mundo astral, pois esse mundo é demasiadamente sutil e plástico às emissões do pensamento, que amplifica e super-excita todos os quadros mentais que ainda se mantêm desordenadamente no perispírito do desencarnado. A permanência mais demorada junto ao corpo físico, embora este se encontre em estado cadavérico, ainda favorece o perispírito no seu intercâmbio energético com o vitalismo natural do meio físico, que flui da própria carne densa e se dissocia (*) no conhecido fenômeno de radiação dispersiva, tão comum a certos minerais, embora suas moléculas de ferro, sódio, magnésio, flúor e cálcio e outras sejam aglutinadas no sangue por processos diferentes. – XTV 154 / 163 – (*) Processo no qual as moléculas de uma substância sofrem quebra de ligações químicas e separam-se em partes menores (íons ou radicais livres
Visto que a matéria é energia condensada – o que já é o conceito científico do vosso mundo – assim que começa a dissolução do corpo físico, essa energia até então acumulada tende a se libertar o mais rapidamente possível; então, o perispírito – centro energético que atua em plano vibratório mais sutil – faz o aproveitamento automático do magnetismo energético que se irradia do cadáver que foi o seu instrumento vivo no mundo físico.
De modo contrário, a liberdade imediata do espírito no Astral faria recrudescerem, agravarem  vigorosamente as suas evocações mentais, sem o auxilio do corpo físico para atenuá-las no aguçamento psíquico. É óbvio que o espírito benfeitor e a alma cristianizada podem dispensar esses cuidados e as fases de adaptações gradativas ao mundo  astral porque, mesmo encarnados, já estão ligados as regiões superiores de Paz e Ventura, das quais tomam posse definitiva após a morte física. São almas que, por se constituírem em abençoados núcleo s de luz e energia superiores, dissolvem os mantos das trevas por onde transitam.
Brusca - É evidente que, em caso de incêndio ou explosão – supondo-se que o corpo do acidentado se desintegre por força de gases ou chamas - a libertação do perispírito se faz de modo súbito e, conseqüentemente, o “cordão prateado” se rompe ao expelir os resíduos vitais que se intercambiavam do perispírito para o corpo físico - XTV 161 / 163
Da Perturbação
A perturbação que se segue à morte nada tem de penosa para o homem de bem: é calma e em tudo semelhante à que acompanha um despertar tranqüilo. Para aquele cuja consciência não está pura é cheia de ansiedades e angústias.
Nos casos de morte coletiva observou-se que todos os que pereceram ao mesmo tempo nem sempre se revêem imediatamente. Na perturbação que se segue à morte cada um vai para o seu lado ou só se preocupa com aqueles que lhe interessam.
LE - 163. Deixando o corpo, a alma tem imediata consciência de si mesma?
— Consciência imediata não é o termo: ela fica perturbada por algum tempo.
LE - 164. Todos os Espíritos experimentam, no mesmo grau e pelo mesmo tempo, a perturbação que se segue à separação da alma e do corpo?
— Não, pois isso depende da sua elevação. Aquele que já está depurado se reconhece quase imediatamente, porque se desprendeu da matéria durante a vida corpórea, enquanto o homem carnal, cuja consciência não é pura, conserva por muito tempo mais a impressão da matéria.
LE - 165. O conhecimento do Espiritismo exerce alguma influência sobre a duração maior ou menor da perturbação?
— Uma grande influência, pois o Espírito compreende antecipadamente a sua situação; mas a prática do bem e a pureza de consciência são o que exerce maior influência.
A duração da perturbação de após morte é muito variável: pode ser de algumas horas, como de muitos meses e mesmo de muitos anos. Aqueles em que é menos longa são os que se identificaram durante a vida com o seu estado futuro, porque então compreendem imediatamente a sua posição.
Essa perturbação apresenta circunstâncias particulares, segundo o caráter dos indivíduos e sobre tudo de acordo com o gênero de morte. Nas mortes violentas, por suicídio, suplício, acidente, apoplexia, ferimentos, etc., o Espírito é surpreendido, espanta-se, não acredita que esteja morto e sustenta teimosamente que não morreu. Não obstante, vê o seu corpo, sabe que é dele, mas não compreende que esteja separado. Procura as pessoas de sua afeição, dirige-se a elas e não entende por que não o ouvem. Esta ilusão mantém-se até o completo desprendimento do Espírito, e somente então ele reconhece o seu estado e compreende que não faz mais parte do mundo dos vivos.
Esse fenômeno é facilmente explicável. Surpreendido pela morte imprevista, o Espírito fica aturdido com a mudança brusca que nele se opera. Para ele, a morte é ainda sinônimo de destruição, de aniquilamento; ora, como continua a pensar, como ainda vê e escuta, não se considera morto. E o que aumenta a sua ilusão é o fato de se ver num corpo semelhante ao que deixou na terra, cuja natureza etérea ainda não teve tempo de verificar. Ele o julga sólido e compacto como o primeiro, e quando se chama a sua atenção para esse ponto, admira-se de não poder apalpá-lo.
Fatalidade
LE - 851. Há uma fatalidade nos acontecimentos da vida, segundo o sentimento ligado a essa palavra; quer dizer, todos os acontecimentos são predeterminados, e nesse caso em que se torna o livre-arbítrio?
— A fatalidade só existe no tocante à escolha feita pelo Espírito, ao se encarnar, de sofrer esta ou aquela prova; ao escolhê-la ele traça para si mesmo uma espécie de destino, que é a própria conseqüência da posição em que se encontra. Falo das provas de natureza física, porque, no tocante às provas morais e às tentações, o Espírito, conservando o seu livre-arbítrio sobre o bem e o mal, é sempre senhor de ceder ou resistir. Um bom Espírito, ao vê-lo fraquejar, pode correr em seu auxílio, mas não pode influir sobre ele a ponto de subjugar-lhe a vontade. Um Espírito mau, ou seja, inferior, ao lhe mostrar ou exagerar um perigo físico, pode abalá-lo e assustá-lo, mas a vontade do Espírito encarnado não fica por isso menos livre de qualquer entrave.
LE - 852. Há pessoas que parecem perseguidas por uma fatalidade, independentemente de sua maneira de agir; a desgraça está no seu destino?
— São talvez, provas que devem sofrer e que elas mesmas escolheram. Ainda uma vez levais à conta do destino o que é quase sempre a conseqüência de sua própria falta. Em meio dos males que te afligem, cuida que a tua consciência esteja pura e te sentirás meio consolado.
LE - 853. Certas pessoas escapam a um perigo mortal para cair em outro; parecem que não podem escapar à morte. Não há nisso fatalidade?
— Fatal, no verdadeiro sentido da palavra, só o instante da morte. Chegando esse momento, de uma forma ou de outra, a ele não podeis furtar-vos.
LE -853-a. Assim, qualquer que seja o período que nos ameace, não morreremos se a nossa hora não chegou?
— Não, não morrerás, e tens disso milhares de exemplos. Mas quando chegar a tua hora de partir, nada te livrará. Deus sabe com antecedência qual o gênero de morte porque partirás daqui, e freqüentemente teu Espírito também o sabe, pois isso lhe foi revelado quando fez a escolha desta ou daquela existência.
LE - 854. Da infalibilidade da hora da morte segue-se que as precauções que se tomam para evitá-las são inúteis?
— Não, porque as precauções que tomais vos são sugeridas com o fim de evitar uma morte que vos ameaça; é um dos meios para que ela não se verifique.
LE - 855. Qual o fito da Providência ao fazer-nos correr perigos que não devem ter conseqüências?
— Quando tua vida se encontra em perigo é essa uma advertência que tu mesmo desejaste, a fim de te desviar do mal e te tornar melhor. Quando escapas a esse perigo, ainda sob a influência do risco porque passaste, pensas com maior ou menor intensidade, sob a ação mais ou menos forte dos bons Espíritos, em te tornares melhor. O mau Espírito retornando (digo mau, subentendendo o mal que ainda nele existe), pensas que escaparás da mesma maneira a outros perigos e deixas que as tuas paixões se desencadeiem de novo. Pelos perigos que correis, Deus vos recorda a vossa fraqueza e a fragilidade de vossa existência. Se examinarmos a causa e a natureza do perigo veremos que, na maioria das vezes, as conseqüências foram a punição de uma falta cometida ou de um dever negligenciado. Deus vos adverte para refletirdes sobre vós mesmos e vos emendardes. (Ver os itens 526 a 532).(1)
LE - 859. Se a morte não pode ser evitada quando chega a sua hora, acontece o mesmo com todos os acidentes no curso da nossa vida?
— São, em geral, coisas demasiado pequenas, das quais podemos prevenir-vos dirigindo o vosso pensamento no sentido de as evitardes, porque não gostamos do sofrimento material. Mas isso é de pouca importância para o curso da vida que escolhestes. A fatalidade, na verdade, só consiste nestas duas horas: a em que deveis aparecer e desaparecer deste mundo.
LE - 859-a. Há fatos que devem ocorrer forçosamente e que a vontade dos Espíritos não pode planejar?
— Sim, mas que tu, quando no estado de Espírito, viste e pressentiste, ao fazer a tua escolha. Não acrediteis, porém, que tudo o que acontece esteja escrito como se diz. Um acontecimento é quase sempre a conseqüência de uma coisa que fizeste por um ato de sua livre vontade, de tal maneira que, se não tivésseis praticado aquele ato, o acontecimento não se verificaria. Se queimas o dedo, isso é apenas a conseqüência de tua imprudência e da condição da matéria. Somente as grandes dores, os acontecimentos importantes e capazes de influir na tua evolução moral são previstos por Deus, porque são úteis à tua purificação e à tua instrução.

LE - 860. Pode o homem, por sua vontade e pelos seus atos, evitar acontecimentos que deviam realizar-se e vice-versa?
— Pode desde que esse desvio aparente possa caber na ordem geral da vida que ele escolheu. Além disso, para fazer o bem, como é do seu dever e único objetivo da vida, ele pode impedir o mal, sobretudo aquele que pudesse contribuir para um mal ainda maior.
LE - 861. O homem que comete um assassinato sabe, ao escolher a sua existência, que se tornará assassino?
— Não. Sabe apenas que ao escolher uma vida de lutas terá a probabilidade de matar um de seus semelhantes, mas ignora se o fará ou não, porque estará quase sempre nele tomar a deliberação de cometer o crime. Ora, aquele que delibera sobre alguma coisa é sempre livre de fazê-la ou não. Se o espírito soubesse com antecedência que, como homem, devia cometer um assassínio, estaria predestinado a isso. Sabei, então, que não há ninguém predestinado ao crime e que todo crime, como todo e qualquer ato, é sempre o resultado da vontade e do livre-arbítrio. De resto, sempre confundis duas coisas bastante distintas, os acontecimentos materiais da existência e os atos da vida moral. Se há fatalidade, às vezes, é apenas no tocante aos acontecimentos materiais, cuja causa está fora de vós e que são independentes da vossa vontade. Quanto aos atos da vida moral, emanam sempre do próprio homem, que tem sempre, por conseguinte, a liberdade de escolha: para os seus atos não existe jamais a fatalidade.
LE - 862. Há pessoas que nunca conseguem êxito e que um mau gênio parece perseguir, em todos os seus empreendimentos. Não é isso o que podemos chamar fatalidade?
— Pode ser fatalidade, se assim o quiseres, mas decorrente da escolha do gênero de existência, porque essas pessoas quiseram ser experimentadas por uma vida de decepções a fim de exercitarem a sua paciência e a sua resignação. Não creias, entretanto, que seja isso o que fatalmente acontece; muitas vezes é apenas o resultado de haverem elas tomado um caminho errado, que não está de acordo com a sua inteligência e as suas aptidões. Aquele que quer atravessar um rio a nado, sem saber nadar, tem grande probabilidade de morrer afogado. Assim acontece na maioria das ocorrências da vida. Se o homem não empreendesse mais do que aquilo que está de acordo com as suas faculdades, triunfaria quase sempre; o que o perde é o seu amor-próprio e a sua ambição, que o desviam do caminho para tomar por vocação o simples desejo de satisfazer certas paixões. Então fracassa e a culpa é sua, mas em vez de reconhecer o erro prefere acusar a sua estrela. Há o que teria sido um bom operário, ganhando honradamente a vida, mas se fez mau poeta e morre de fome. Haveria lugar para todos, se cada um soubesse ocupar o seu lugar.
LE - 866. Então, a fatalidade que parece presidir aos destinos do homem na vida material seria também resultado do nosso livre-arbítrio?
— Tu mesmo escolheste a tua prova; quanto mais rude ela for, se melhor a suportas, mais te elevas. Os que passam a vida na abundância e no bem-estar são Espíritos covardes que permanecem estacionários. Assim, o número dos infortunados supera de muito o dos felizes do mundo, visto que os Espíritos procuram, na sua maioria, as provas que lhes sejam mais frutuosas. Eles vêem muito bem a futilidade de vossas grandezas e dos vossos prazeres. Aliás, a vida mais feliz é sempre agitada, sempre perturbada: não seria assim pela ausência da dor. (Ver itens 525 e seguintes).

LE- 872 -

A fatalidade, como vulgarmente é entendida, supõe a decisão prévia e irrevogável de todos os acontecimentos da vida, qualquer que seja a sua importância. Se assim fosse, o homem seria uma máquina destituída de vontade. Para que lhe serviria a inteligência, se ele fosse invariavelmente dominado, em todos os seus atos, pelo poder do destino? Semelhante doutrina, se verdadeira, representaria a destruição de toda liberdade para o homem, nem mal, nem crime, nem virtude. Deus, soberanamente justo, não poderia castigar as suas criaturas por faltas que não dependiam delas, nem recompensá-las por virtudes de que não teriam mérito. Semelhante lei seria ainda a negação da lei do progresso, porque o homem que tudo esperasse da sorte nada tentaria fazer para melhorar a sua posição, desde que não poderia torná-la melhor nem pior.
A fatalidade não é, entretanto, uma palavra vã; ela existe no tocante à posição do homem na Terra e às funções que nela desempenha como conseqüência do gênero de existência que seu Espírito escolheu como prova, expiação ou missão. Sofre ele, de maneira fatal, todas as vicissitudes dessa existência e todas as tendências boas ou más que lhe são inerentes. Mas a isso se reduz a fatalidade, porque depende de sua vontade ceder ou não a essas tendências. Os detalhes dos acontecimentos estão na dependência das circunstâncias que ele mesmo provoque, com os seus atos, e sobre os quais podem influir os Espíritos, através dos pensamentos que lhe sugerem. (Ver item 459).
A fatalidade está, portanto, nos acontecimentos que se apresentam ao homem como conseqüência da escolha de existência feita pelo Espírito; mas pode não estar no resultado desses acontecimentos, pois pode depender do homem modificar o curso das coisas, pela sua prudência; e jamais se encontra nos atos da vida moral.
É na morte que o homem é submetido, de uma maneira absoluta, à inexorável lei da fatalidade, porque ele não pode fugir ao decreto que fixa o termo de sua existência, nem ao gênero de morte que deve interromper-lhe o curso.
Segundo a doutrina comum, o homem tiraria dele mesmo todos os seus instintos; estes procederiam, seja da sua organização física, pela qual ele seria responsável, seja da sua própria natureza, na qual pode procurar uma escusa para si mesmo, dizendo que não é sua a culpa de haver sido feito assim.
Influência dos Espíritos sobre os Acontecimentos da Vida
LE - 526. Tendo os Espíritos ação sobre a matéria, podem provocar certos efeitos com o fim de produzir um acontecimento? Por exemplo, um homem deve perecer: sobe então a uma escada, esta se quebra e ele morre. Foram os Espíritos que fizeram quebrar a escada para que se cumpra o destino desse homem?
— É bem verdade que os Espíritos têm influência sobre a matéria, mas para o cumprimento das leis da natureza e não para as derrogar, fazendo surgir em determinado ponto um acontecimento inesperado e contrário a essas leis. No exemplo que citas, a escada se quebra porque está carunchada ou não era bastante forte para suportar o peso do homem; se estivesse no destino desse homem morrer dessa maneira, eles lhe inspirariam o pensamento de subir na escada que deveria quebrar-se com o seu peso e sua morte se daria por um motivo natural, sem necessidade de um milagre para isso.
LE - 527. Tomemos outro exemplo, no qual não intervenha o estado natural da matéria. Um homem deve morrer de raio: esconde-se em baixo de uma árvore, o raio estala e ele morre. Os Espíritos poderiam ter provocado o raio, dirigindo-o sobre ele?
— É ainda a mesma coisa. O raio explodiu sobre aquela árvore e naquele momento porque o fato estava nas leis da Natureza. Não foi dirigido para a árvore porque o homem lá se encontrava, mas ao homem foi dada a inspiração de se refugiar numa árvore, sobre a qual ele deveria explodir. A árvore não seria menos atingida se o homem estivesse ou não sob ela.
LE - 528. Um homem mal intencionado dispara um tiro contra outro, mas o projétil passa apenas de raspão, sem o atingir. Um Espírito benfazejo pode ter desviado o tiro?
— Se o indivíduo não deve ser atingido, o Espírito benfazejo lhe inspira o pensamento de se desviar, ou ainda poderá ofuscar o seu inimigo de maneira a lhe perturbar a pontaria; porque o projétil, uma vez lançado, segue a linha da sua trajetória.
Conclusão                                                               
Diz Allan Kardec, nos comentários da questão 738 de O Livro dos Espíritos, que “venha por um flagelo à morte, ou por uma causa comum, ninguém deixa por isso de morrer, desde que haja soado a hora da partida. A única diferença, em caso de flagelo, é que maior número parte ao mesmo tempo”.
E finalmente, segundo esclareceram os Espíritos Superiores a Allan Kardec, na resposta à questão 740 de O Livro dos Espíritos, “os flagelos são provas que dão ao homem ocasião de exercitar a sua inteligência, de demonstrar sua paciência e resignação ante a vontade de Deus e que lhe oferecem ensejo de manifestar seus sentimentos de abnegação, de desinteresse e de amor ao próximo, se o não domina o egoísmo”.

Fontes: – A Gênese – A Vida Além da Sepultura – Ação e Reação – Livro dos Espíritos – O perispírito e suas modelações  –  O sublime Peregrino  –  Web






segunda-feira, 27 de outubro de 2014

DEUS E O INFINITO

    I - DEUS E O INFINITO
1 – Que é Deus?

Deus  é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas.

·         O primeiro desafio que temos a enfrentar quando ousamos entender Deus, é o da limitação. É do senso lógico que o limitado não abrange o ilimitado. A parte não absorve o todo. O relativo não se sobrepõe ao absoluto, nem o finito descreve com plenitude o infinito.
Alguém pode pensar simploriamente que uma gota do oceano seja capaz de lhe desvendar os mistérios. Concordamos em parte que sim. A essência, os elementos químicos formadores de suas moléculas, algumas formas de vida nela existentes, as transformações relativas aos fenômenos físico-químicos poderiam fornecer pálida idéia do conjunto formado pelo oceano.
Mas daí a aventurar-se a mar alto confiado nessas informações, é candidatar-se a decepções e desenganos frustrantes. Descobriria de imediato o navegante, os inumeráveis pluricelulares marinhos, as formas de vida exuberantes que lhe ultrapassariam em centenas de vezes o peso e o tamanho; os abismos obscuros; as correntes indomáveis; as tormentas bruscas; os segredos que esperam os heróis incansáveis para a pesquisa e o trabalho fecundos. Deus, em nosso estágio de entendimento, tem a grandeza que a nossa inferioridade permite ver. Nos O olhamos com os olhos de catarata. À proporção em que nossa ciência e sabedoria atuarem como bisturi da ignorância que nos torna cegos, nossos cristalinos terá menos opacidade, permitindo que os raios de luz da verdade, em sucessivas raspagens reencarnatórias nos permitam ver-Lo, como sentenciou o espírito de Verdade.  
Claro está que jamais o veremos circunscrito a um local específico, nem conseguiremos descrevê-lo em dimensões e formas. Nós o entenderemos relativamente e com Ele nos identificaremos em essência e destinação.
Dizem alguns tolos cujo orgulho lhes põe cera aos ouvidos e venda aos olhos: se Deus existe, prove-o!
É o segundo desafio. O da demonstrabilidade. Poderíamos dizer-lhes o mesmo, utilizando de sua ótica retorcida. Se Ele não existe, prove-o!
No entanto, seria gastar tempo e energia, fazendo-nos de mestres que não somos, quando para tais alunos o mestre tem muitos nomes: frustração, vazio, desengano, dor, e no final do curso, aceitação.
Podemos, no entanto, lembrar a quem de interesse sadio se arme, que o sentimento e a certeza da existência de Deus são universais. Da crença mais bizarra nos Espíritos primitivos até a intelectualidade mesmo fria, Deus é a razão, lei, Criador do Universo. (1)
Quando em vez alguém tenta negar a existência do ser supremo ou deixa-lo ausente das construções universais. Tal foi a infeliz conclusão de Nietzsche, filósofo alemão,  ao afirmar a morte de Deus, e a singular resposta de Pierre de Laplace a Napoleão Bonaparte, quando este lhe interrogou sobre a obra do importante matemático, intitulada “Mecânica Celeste”: Escrevestes este enorme livro sobre o sistema do mundo sem mencionar uma só vez o autor do universo? Perguntou Napoleão. E Laplace respondeu com mais respeito ao imperador que a Deus: Senhor, não senti necessidade dessa hipótese.
Trinta anos após a morte de Laplace, sai na Europa “O Livro dos Espíritos” cuja pergunta número um é: Que é Deus? Essa pergunta abriu de vez as portas do além para a Humanidade. E a sua resposta (“Inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas”) deixou claro que as portas do céu estão abertas para quem as queira conquistar através da caridade.
Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo” falam os Espíritos superiores, que nos mundos mais atrasados onde a força bruta é a lei, no fundo tenebroso das inteligências de seus habitantes encontra-se latente a vaga intuição de um ser supremo, mais ou menos desenvolvida.
Pela observação e questionamento de si e do universo, o Espírito terá milhões de provas materiais e filosóficas de uma ordem mantenedora, de uma harmônica diretriz que a tudo impulsiona rumo à perfeição. Todas as equações e fórmulas científicas do nosso mundículo atestam a existência de Deus. Igualmente, vasculhando o mundo íntimo, repositório de dores e conquistas, encontramos a ação de Deus em cada segundo vivido. Imersos estamos em Deus, mas nem todos partilham de igual visão. 
Os racionalistas, tomando a razão como via natural do conhecimento, só aceitam Deus racionalmente. Muito bem! Eles estão satisfeitos com a sua meia verdade. Os que defendem a supremacia da fé, entendem que jamais o Espírito encontraria Deus pela razão, pois só na fé existem condições indispensáveis para o desabrochar da luz espiritual. Esses estão crentes na sua meia verdade.
Convivendo com ambos, os vinculados ao plano das emoções rejeitam a razão e optam pelo sentimento, afirmando: Deus não pode ser racionalizado, apenas sentido. Esses estão acomodados em sua meia verdade. Se Deus está em tudo, todos os caminhos deságuam em sua plenitude. Juntando as meias verdades teremos uma meia verdade aproximada de Deus, ainda de acordo com o nosso estágio de semi-analfabetos da ciência espírita.
Objetivistas e subjetivistas em suas buscas filosóficas enquanto sadias, ampliarão a cada dia o pensamento sobre Deus, até que descubram que ambos estão corretos e incompletos. O problema existe a atuação da mente e a melodia do coração.
Apreende-se desse fato que todos possuem argumentos na busca do conhecimento teológico. Só aquele que procura negar a existência de um ser superior é que não os possui. E se julga detê-los, eis a lógica inflexível que os devora, deixando-o aturdido frente à sua imaturidade espiritual.
Deus nesta obra será tratado como causa primeira de todas as coisas, o que pode criar a substância e a essência, cabendo ao Espírito, manejar, planejar, direcionar, auxiliar, supervisionar, mas nunca a decidir em grau maior, de vez que as leis divinas já incluem a decisão em seu âmago. O Espírito decide através do seu livre-arbítrio em questões menores, pois em última instância prevalecem as leis divinas, dotadas de determinismo inexorável a culminar na sabedoria, beleza, justiça ...
Os Espíritos agem portanto sob o comando de uma diretriz já delineada, cujo fatalismo é sentido obrigatório. À  proporção em que escapam da faixa grosseira da ignorância e adentram na sutileza das emoções sublimadas mais corroboram com esse determinismo.
Se quisermos entender um pouco da grandiosidade de Deus, procuremos entender e conhecer a nós mesmos, criados à Sua semelhança, e estimemos o que é, e do que será capaz o poder amoroso de Deus.
Sem contaminar a palavra de hoje tão vulgarizada e tomada como representação de sentimentos e atitudes até mesquinhas, diria que Deus é fonte inesgotável de amor. A fonte que move e sustenta e bipartição  de um simples protozoário e a estabilidade das imensas galáxias bordadas de bilhões de sóis. Por esse motivo não pune, não castiga, não é guerreiro, não obriga, não distribui chagas ou medalhas para nenhuma de suas criaturas. 
Como energia criadora criou a lei, e como ninguém é forte fora da lei, ausentando-se dela, a ela retorna por absoluta falta de opção. A vida não deixa outra alternativa. É seguir a Deus ou sofrer. E como ninguém se adapta à dor, embora muitos com ela convivam por largos anos, acaba cedendo ao chamamento do amor, após a lapidação imposta por esse mestre tão enérgico, mas tão solicitado no mundo atual, qual seja, o sofrimento.
É um conforto saber da existência de Deus e ter a segurança de que não somos órfãos em tão extenso universo.

(1)  Uma curiosidade sobre a palavra Universo: teria se originado do latim “unum versum”, direção única, que é o que observamos todos os dias e noites, os astros nascendo no leste e se pondo no oeste.

·         Foi a ignorância do princípio do infinito das perfeições de Deus que gerou o politeísmo, (2)  culto de todos os povos primitivos. Atribuíam a divindade a qualquer poder que lhes parecesse estar acima da humanidade..

(2)   POLITEÍSMO = (do gr. polus, vários e théos, Deus). Religião que admite vários deuses

·         A mitologia considerava os Espíritos como divindades; representava-os como deuses, cada qual com sua atribuição especial. Uns eram encarregados dos ventos, outros do raio, outros de presidir os fenômenos da vegetação. Mais tarde, a razão levou-os a confundir aqueles diversos poderes em um único. Depois, à medida que os homens compreenderam a essência dos atributos divinos, retiraram de seus símbolos as crenças que negavam suas faculdades. Hoje sabemos que essas concepções têm sua razão de ser; em certo sentido, até os fenômenos geológicos são presididos por Espíritos Superiores.

·         Entre os povos antigos a palavra deus encerrava a idéia de poder; para eles todo poder superior ou vulgar era um deus; os próprios homens que tinham feito grandes coisas para eles se tornavam deuses. Manifestando-se por efeitos que aos olhos deles parecia serem sobrenatural, os Espíritos eram tantas divindades, que impossível se torna não reconhecermos os Espíritos familiares, os nossos gênios tutelares.
O conhecimento das manifestações espíritas é pois a fonte do politeísmo; porém desde a mais alta antiguidade os homens esclarecidos tinham julgado seus pretensos deuses por seu justo valor e neles reconhecidas criaturas de um Deus Supremo, soberano senhor do mundo. O Cristianismo, conformando a doutrina da unidade de Deus e esclarecendo os homens pela sublime moral evangélica, marcou uma nova era no caminhar progressivo da humanidade, os homens lhes tem chamado gênios e fadas em lugar de deuses. 

·   Assim, correspondendo à assimilação progressiva humana, Deus primeiramente foi objeto de especial veneração  pelos homens primitivos através dos fenômenos principais da Natureza, como o trovão, a chuva, o vento, o mar e o Sol!. Em seguida evoluíram para a figura dos múltiplos deusinhos do culto pagão. Mais tarde, as pequenas divindades fundiram-se, convergindo para a idéia unitária de Deus.  Na Índia, honrava-se Brahma, e Osíris, no Egito; e Júpiter na Olímpia; enquanto os Druidas, no seu culto à Natureza, cultuavam também uma só unidade! Moises expressa em Jeová a unidade de Deus, embora ainda o fizesse bastante humanizado e temperamental, pois todos os sentimentos e emoções dos hebreus, no culto religioso, fundiam-se com as próprias atividades do mundo profano! Com o aparecimento de Jesus, a mesma idéia unitária de Deus evoluiu então para um Pai transbordante de Amor e Sabedoria, que pontificava acima das versões irracionais humanas, embora os homens ainda o considerassem um doador de “graças” para os seus simpatizantes e um juiz rigoroso, severo,  para os seus contrários.

·         O Livro dos Espíritos ressalta, desde as suas primeiras páginas, a sua natureza religiosa. Como já vimos, Kardec o inicia pela definição de Deus. Mas o Deus espírita não é descrito ou concebido sob uma forma humana ou com atributos humanos,  não é um ser constituído à imagem e semelhança do homem, como o das religiões. A definição espírita é incisiva: “Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”.  É eterno, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom, infinito nas perfeições.
Para Espinosa – filósofo holandês; o seu sistema é também a forma mais rigorosa do panteísmo – Deus é a substância infinita. Para Kardec é a inteligência infinita. Mas assim como erraram os que confundiram a substância espinosiana com o Universo, assim também se enganam os que confundem a inteligência infinita com o homem finito, e a religião espírita com os formalismos religiosos.

·     Definições Filosóficas:
<> de Platão: Deus é o começo, o meio e o fim de todas as coisas. Ele é a mente ou razão suprema; a causa eficiente de todas as coisas; eterno, imutável, onisciente, onipotente; tudo permeia e tudo controla; é justo, santo, sábio e bom; o absolutamente perfeito, o começo de toda a verdade, a fonte de toda a lei e justiça, a origem de toda a ordem e beleza e, especialmente, a causa de todo o bem.
<> Cristã do Breve Catecismo: Deus é um Espírito, infinito, eterno e imutável em Seu Ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade.
v  Definição Combinada: Deus é um espírito infinito e perfeito em quem todas as coisas tem sua origem, conservação e conclusão. (Ne.9:6; Ap.l:8; Is.48:12; Ap.1:17). 

·   Definições Religiosas:
<> Bíblicas:  As expressões "Deus é Espírito" (Jo.4:24) e "Deus é Luz” (I Jo.1:5), são expressões da natureza     essencial de Deus, enquanto que  "Deus é amor" (I Jo.4:7) é expressão de Sua personalidade. (I Tm.6:16)
<> A divindade principal dos hebreus, que o era também para os gregos: Eloim (Elohim). Significa: Ele, o Deus dos deuses.
<> O apóstolo João parece resumir tudo num só versículo (Ap.8.1:): “Eu sou o Alfa e o Omega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que vem, o Dominador.” – Alfa e Omega – a primeira e a última letra do alfabeto grego – indicam que Deus é o princípio e o fim de todas as coisas.

·         Sendo Deus o pivô de todas as crenças religiosas, o fim de todos os cultos, o caráter de todas as religiões é conforme a idéia que fazem de Deus. As religiões que dele fazem um Deus vingativo e cruel crêem honrá-lo  por atos de crueldade, pelas fogueiras e pelas torturas; as que dele fazem um Deus parcial e ciumento, são intolerantes; são mais ou menos meticulosas na forma, conforme o crêem mais ou menos manchado pelas fraquezas e mesquinharias humanas.

·         Tais idéias expressam-se de acordo com a psicologia, o sentimento e a cultura de cada povo. Osíris, no Egito, inspirou o culto da morte, enquanto Brahma, na Índia, recebia homenagens fabulosas como a primeira da Trindade divina do credo hindu. Mas, também havia Moloc, a exigir o sacrifício de tenras crianças, e, finalmente, Jeová, entre o hebreu, louvado com o holocausto de animais e aves, além de valiosos presentes dos seus devotos. Mais tarde, o Catolicismo definiu-se pela idéia do Criador na figura de um velhinho de barbas brancas, responsável pela criação do mundo em seis dias, pontificando dos céus, atrás das nuvens, mas ainda sensível à oferenda de velas, flores, incenso, relíquias e auxílios necessários à manutenção do serviço divino no mundo terreno. Atualmente a doutrina espírita ensina que “Deus é a Inteligência Suprema, a causa primária de todas as cousas”, descentralizando a Divindade e não  sugerindo traços por associações de idéias, cuja figura lembra o homem,  para ser entendida animando todos os acontecimentos da Vida. Quando a Bíblia fala do olho, do ouvido, da mão de Deus, etc., fala metaforicamente. A isto se dá o nome de antropomorfismo. (3) 
Não há dúvida; já é bem grande a diferença entre a concepção espírita e os deuses mitológicos, que presidiam os fenômenos da Natureza ou se imiscuíam na vida dos seus devotos; no entanto, ainda existe diversidade da própria fórmula espiritista, em confronto com outras explicações iniciáticas do ocultismo oriental. Em verdade, essa idéia da pluralidade divina foi-se atenuando com a própria evolução do homem na esfera da Filosofia e no campo da Ciência; porém, se isto lhe facultou maior assimilação da Realidade do Criador, aumentou-lhe, no entanto, a sua responsabilidade espiritual.
Todavia, o mais importante não reside, propriamente nas convicções da crença de cada um, na caminhada da sua evolução mental e espiritual, mas no seu comportamento humano, quando o homem atinge um discernimento mais exato e real quanto às suas responsabilidade e à forma de se conduzir perante o Deus único, cuja Lei Divina abençoa os que praticam o Bem e condena os que praticam o Mal. Os homens mais se aproximam da Realidade à medida que também se libertam das crenças, pois estas, quer sejam políticas, nacionais ou religiosas, separam os homens e os deixam intolerantes, tanto quanto discutem calorosamente os torcedores pelo demasiado apego a uma determinada associação desportiva.

(3)   Trata-se de antropomorfismo, ou seja: forma de pensamento que atribui a Deus comportamentos e pensamentos característicos do ser humano

·          A harmonia do universo é o testemunho de uma sabedoria, de um cuidado e de uma previdência, que ultrapassam todas as faculdades humanas. O nome de um Ser soberanamente grande e sábio, está gravado em todas as obras da criação, desde a radiculada ervinha, desde o mais pequeno inseto, até aos astros que circulam no espaço. Em toda a parte vemos a prova de uma solicitude paternal. Cego será quem não O reconhecer em suas obras, orgulhoso o que  não O glorificar e ingrato o que à Ele não render graças.

2 – Que se deve entender por Infinito?

O que não tem começo e nem fim; o desconhecido; tudo o que é desconhecido é infinito.

      Na busca de amplificação, de parâmetros ou diferentes definições, e mesmo de algo que possa melhor  valer  para um bom juízo sobre o que se deve entender por infinito,  intentamos nossa pesquisa.
      Os espíritos se referem ao Universo. Por isso,   conquanto tudo quanto nele conhecemos tem começo e tem fim; tudo quanto não conhecemos se perde no infinito, é oportuno, sugestivamente,  que sua observância seja focalizada pelo prisma de algumas ciências; conseqüentemente, teremos múltiplos aspectos para o tema.
      Não temos pretensão em divergir da resposta dos espíritos, mas de ressaltar seu caráter religioso. A rigor somos partidários desse posicionamento. Assim, escusamo-nos em  sugerir ao leitor que a consideração dos espíritos esteja acima de quaisquer outros conceitos que possam lhes insurgir ao final das nossas considerações.

·         Na Idade Média, inúmeras abordagens foram feitas em relação à natureza do infinito. Mas todas elas  incapazes de produzir o efeito pretendido. Os pensamentos, proposições ou argumentos que contrariava os princípios básicos e gerais relacionados com o infinito, tornaram-se famosos na Grécia.  Aristóteles, por exemplo, fez várias considerações a respeito que foram utilizadas para grandes especulações metafísicas (1) sobre a natureza do infinito.

(1) Estudo filosófico dos princípios e das causas das coisas.

·         Na Gênese, Kardec deixa o campo exclusivamente doutrinário para a faixa de relações da Ciência com as demais Ciências,  revelando de maneira prática as contribuições do Espiritismo para o desenvolvimento da nossa cultura. Neste livro, no tema Diversidade dos Mundos, do capítulo VI, os Espíritos falam das regiões imensas do Espaço. Na pergunta 58, na excursão com os Espíritos,   o médium, no estado de alma emancipada, provavelmente,  sob o efeito do desdobramento ou sonambulismo, visita regiões imensas do Espaço. Debaixo de suas vistas, os sóis sucederam aos sóis, os sistemas aos sistemas, as nebulosas às nebulosas, tendo o panorama esplêndido da harmonia dos Cosmos desenrolado-se ante  seus “passos”, ao que, conseqüentemente, experimentou um sentimento aprazível da idéia do Infinito. 

·   A consciência espiritual do homem, à medida que cresce esfericamente, funde os limites do tempo e do espaço, para atuar noutras dimensões indescritíveis; abrange, então, cada vez mais, a magnificência real do Universo em si mesma, e se transforma em Mago a criar outras consciências, menores em sua própria Consciência Sideral.
A criatura humana, que vive adstrita ao simbolismo de tempo e espaço, precisa de ponto de apoio para firmar sua mente e compreender algo da criação cósmica e da existência de Deus.

·         Do ponto de vista matemático, Infinito é aquilo que não possui fim.
Assim, os números naturais são um exemplo de um conjunto infinito, ou seja, que não tem fim, não acaba nunca. O símbolo do infinito (um "oito deitado") representa esta idéia de algo a que nunca se chega.
Em 1851 foi publicado, em língua alemã, um pequeno livro intitulado “Paradoxos do infinito” de autoria de Bernard Bolzano. A publicação foi feita três anos depois de sua morte e trata-se de uma nova e original maneira de abordar o conceito de infinito. Conceito esse que trás consigo inúmeros paradoxos como veremos.
O primitivo infinito que nos deparamos tem sua origem no nosso princípio da contagem; todos nós contamos e ordenamos; um, dois, três..., o primeiro, o segundo..., e a noção de cardinalidade (quantidade) se confunde com a noção de ordinal. Apesar de não experimentarmos o infinito, podemos discerni-lo, pois ao contar, percebemos através do discernimento, que podemos sempre acrescentar mais um. Essa é a primeira noção de infinito, o infinitamente grande. Quando no século XVII Pascal exclama: “o silêncio desses espaços infinitos me apavora”, nos mostra a crise provocada pelo renascimento ao contrapor um espaço infinito à cosmologia finita de Aristóteles.

·            Segundo a astronomia,  Infinito é o que não possui fronteiras ou limites.
      Essa definição indica que o Universo pode ser uma "ilha" de galáxias em um ponto desse universo e além dessas galáxias não existiria mais nada. Nessa concepção a eternidade se aplicaria apenas ao espaço-tempo.
     Alberto Einstein, físico alemão naturalizado americano, o maior sábio contemporâneo,  mostrou que o espaço e o tempo são intercambiáveis e pertencem à mesma estrutura. Todavia, a estrutura espaço-tempo, como um todo, não varia, não é relativa, por isso o próprio Einstein quis mudar o nome da teoria da relatividade para teoria da invariância, mas não conseguiu. 
     Pelo prisma da física,  Infinito é aquilo cujas fronteiras ou limites são inatingíveis.
   Essa talvez seja a melhor forma de explicar o infinito do ponto de vista físico. Nessa concepção o Universo poderia ter um princípio e existirem limites. Porém não existem meios físicos de se atingir esses limites, porque quanto mais tentamos nos aproximar da fronteira, mais a fronteira se afasta de nós. Não que essa fronteira fuja de nós, mas se considerarmos que essa fronteira esteja se expandindo na velocidade da luz (ou próxima dela), teríamos de acelerar para atingir essa fronteira mas, ao acelerarmos, o espaço entre nós e a fronteira se dilataria pois, na verdade, estaremos reduzindo a velocidade em relação a essa fronteira. Para essa definição, o universo pode ser infinito.
·  
·          Sustenta a ótica religiosa que Infinito é aquilo que se desconhece o fim.
Esta é a definição de infinito que obedece aos preceitos religiosos (a dizer que o poder de Deus é infinito, é porque não se conhece nenhum limite). Nessa definição, o universo é infinito porque não conhecemos o fim.
Se o universo não é infinito ou se ele possui uma fronteira, a sua questão é o que existe depois dele. Com certeza deve existir algo, mas está muito além da nossa compreensão, pois nós vivemos em um universo tetradimensional e só temos condições de descrever algo em termos de espaço e tempo. Aquilo que está além do universo possui outras dimensões que nós nem fazemos idéia do que sejam. 

3 – Poder-se-ia dizer que Deus é infinito?

Definição incompleta. Pobreza da linguagem dos homens, que é insuficiente para definir as coisas que estão acima de sua inteligência.

Kardec considera:  “Deus é infinito em suas perfeições, mas o infinito é uma abstração. Dizer que Deus é Infinito é tomar o atributo pela própria coisa, e definir uma coisa que não é conhecida, por uma coisa que também não o é.”

·         No seu atual estado de inferioridade, os homens dificilmente podem compreender que Deus seja infinito; por serem restritos e limitados imaginam-nO restrito e limitado como eles próprios. Representam-nO como um ser circunscrito e fazem dEle uma imagem semelhante à sua. As representações que dEle fazemos com traços humanos não pouco contribuem para manter esse erro no espírito das massas, que nEle adoram mais a forma que a idéia. É para a maioria um soberano poderoso, em um trono inacessível, perdido na imensidade dos céus e, por possuírem faculdades e percepções limitadas, não compreendem que Deus possa ou ouse intervir diretamente nas pequenas coisas.

·      Deus, sendo Espírito, é incorpóreo, invisível, sem substância material, sem partes ou paixões físicas e, portanto, é livre de todas as limitações temporais (II Co.3:17).

·         Deus é infinitamente perfeito. É impossível conceber Deus sem o infinito das perfeições, sem o que Ele não seria Deus, pois poderíamos sempre conceber um ser que possuísse o atributo que lhe faltasse. Para que nenhum ente o possa ultrapassar, importa que Ele seja infinito em tudo.
Os atributos de Deus, por serem infinitos, não são suscetíveis nem de aumento nem de diminuição, pois deixariam de ser infinitos e Deus não seria perfeito. Se tirássemos a menor parcela que fosse de um só de seus atributos, já não teríamos mais Deus, visto que seria possível existir um ser mais perfeito que Ele.

·          A perfeição é o atributo pelo qual Deus é isento de toda e qualquer limitação em seu Ser e em seus atributos (Mt.5:48). A infinidade de Deus se contrasta com o mundo finito em sua relação tempo-espaço.

·          Se houvermos compreendido bem a relação, ou antes, a oposição entre a eternidade e o tempo, se nos tivermos familiarizado com esta idéia – que o tempo não é senão uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias, ao passo que a eternidade é essencialmente uma, imóvel e permanente, e que não é suscetível de medida alguma no ponto de vista da duração compreenderemos que, para esta, não há nem começo nem fim.
Por outro lado, se fizermos uma justa idéia embora necessariamente bem fraca – da grandeza infinita do poder divino, compreenderemos como é possível que o Universo tenha sempre existido e exista para sempre. Desde o momento em que Deus passou a existir, suas perfeições eternas se manifestaram. Antes que nascessem os tempos, a Eternidade incomensurável recebeu a palavra divina e criou o Espaço, igualmente eterno.  ‘’



FONTES DAS PESQUISAS: - A GENESE – A VIDA NO OUTRO MUNDO – ALMAS CRUCIFICADAS – BÍBLIA SAGRADA –  CARACTERES DA REVELAÇÃO ESPIRITA –    CORREIO ELETRÔNICO –  INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA DOUTRINA ESPIRITA – O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – O LIVRO DOS ESPÍRITOS –   O SUBLIME PEREGRINO – PRECES DO EVANGELHO


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